Saturday, April 19, 2008

A razão de tudo

Tu estavas frio sobre o leito

Descansando numa paz profunda

Eu te velava de perto

Em altas doses de minha loucura


Tua beleza obscura

Teu sorriso mudo

Teu olhar cansado

Minha alma mais que nua


E já nem te sentia mais

Joguei-te flores

Esqueci das dores

Que um dia me causaste


E num piscar dos olhos meus

De volta em carne vi tua alma

Naqueles lábios de criança

Aquela beleza a ser amada


Um pesadelo parecia ter acabado

Soavas como salvação

Meu peito batia mais forte

Vi-te, então, de novo ao meu lado


Queria ter sonhado mais um pouco

Não consegui guardar o gosto sequer

Sumiste de novo

No mesmo piscar do olho


E aqui me encontro mais uma vez

Sozinho no meu quarto

Porém não mais chorando

Pois já não mais te preciso


Tu, o tema maior de tudo

A razão sempre do meu viver

O nome de onde estou

O princípio, o meio e o fim do meu ser


O tema de tudo que escrevi

O objetivo de tudo que vivi

A razão de todas as lágrimas que derramei

O caminho que em todo momento pisei


Não te quero mais

Ana já te cantou: Va!!!

Vivi pra ti

E agora pra ti morri


Acabou...

A vida pra mim terminou...

Tu, sempre tu, louco amor

Não mais em mim.

Wednesday, January 02, 2008

Prezado 2007,

Escrevo-te para agradecer tudo o que me deste durante o tempo em que estiveste comigo.
Profissionalmente, definitivamente eu encontrei o que eu realmente gosto de fazer. O prazer que eu descobri em controlar avião é fantástico (só não deve ser melhor que o de pilotar). E, junto com a oportunidade profissional, veio a chance de passar nove meses e meio morando sozinho em outra cidade, quase num Big Brother. Uma experiência de vida fantástica ter que conviver com mais 59 pessoas que de um dia pro outro deixaram de ser estranhos e se tornaram vizinhos, amigos e concorrentes. Aprendi muito sobre convivência e sobre o ser humano de uma maneira geral. E no final consegui meu objetivo, que era voltar pro Rio, além de ter feito alguns amigos.
Financeiramente foi difícil porque sou bolsista, mas a semente está plantada para que até o fim de 2008 a situação esteja muito boa.
Porém, caro 2007, no campo amoroso acho que chego ao teu fim da mesma maneira que comecei: confuso, fechado, triste, com dúvidas. Talvez pensando em muitas que eu pensava há um ano atrás. Mas tenho certeza de que me ensinaste uma lição importantíssima: eu sei viver sozinho e meus dias não foram tristes por isso. Mas, para chegar a essa conclusão, acho que, inconscientemente, me fechei pro amor. Na realidade, eu tentei me abrir sim algumas vezes, mas no final eu acabava me fechando de novo, seja por distância, seja por diferenças de comportamento. No fim das contas, acabei afastando pessoas maravilhosas, que não mereciam mal nenhum. Enfim... Hoje me considero mais tolerante, porém mais exigente; mais machucado, porém mais experiente; mais sozinho, porém menos solitário; com um vazio no peito, inevitavelmente esperando alguém que possa preenchê-lo, porém bem feliz.
Nas amizades, muitas pessoas se afastaram de mim, talvez por eu estar longe ou sei lá o porquê. Sem dúvida, o meu círculo social diminuiu expressivamente. Mas algo muito importante aconteceu. Alguns poucos amigos de sempre estiveram ao meu lado cada dia em que eu estava em São José sofrendo com provas, notas, classificação, fofocas, brigas, confusões, etc. Via e-mail, telefone ou até fumaça. Esses poucos amigos não deixaram por um momento sequer eu cair e desistir. Não preciso citar nomes. Eles sabem que eu os amo, que nunca esquecerei o que fizeram por mim e que vou levá-los no fundo do meu coração pra sempre. Minha relação com minha mãe também melhorou muito. Apesar de ela continuar “controladora de filhos”, hoje temos a noção certa do quanto somos importantes um para o outro. Mas neste ano eu tive uma grande tristeza com um amigo meu. Eu o perdi e não sei como e nem o porquê. Eu o ajudei e ele virou as costas pra mim. Talvez simplesmente porque não teve coragem de olhar nos meus olhos e conversar como dois amigos sinceros são capazes de fazer. Preferiu sumir e ignorar anos de amizade. E, por isso, eu nunca vou te perdoar, 2007. Tu levaste meu amigo. Espero que 2008 o convença de que nossa amizade vale muito mais do que tudo isso.
E pra terminar, agradeço-te todas as pessoas novas que passaram pela minha durante esse tempo. Alguns vão ficar, outros vão ou já sumiram, mas o que importa é que de alguma forma me ensinaram alguma coisa como homem, como ser humano: Jorge, Natan, Patrick, João Paulo, Natália, Tiago Ilha, Marcelo, Amanda, Verônica, Emily, Andréa, Magno, Léo Palmas, Henrique, Wagner, Bonfim, Richard, Dalton e outros.
Não vou pedir nada pra 2008. Apenas que a vida aconteça, com sorrisos e lágrimas.

“Esse é o mundo que tá pra ser feito
E, no fundo de tudo,
Um defeito
É um degrau importante na escada do perfeito.

Torto
Pobre
Mal-feito
Todo vivente pode andar reto
Porque humano não é ruim nem mau
Humano é ser incompleto.”
(Do seriado ‘Hoje é dia de Maria’)

Monday, November 12, 2007

Amor, tu me assustas

A vida parou
O coração está congelado
Frio, insensível
Egoísta

Dentro de um vazio gigante
Só enxergo as estrelas
Bem longes de mim
Indiferentes

Lembrando de tuas mãos em meu rosto
Fazendo um carinho
Teu abraço apertado
Teu conforto

Ainda tenho a imagem do teu olhar
Refletindo aquela incontrolável alegria
Transmitindo o calor deste sentimento que és
E que há tempos esqueci

Amor,
Nem sei mais o que significas
Não lembro mais dos arrepios que me causaste
Enterrei tudo o que te trazia a mim

Fechei minhas portas
Tranquei com chave
Tu não entras mais
Sozinho permanecerei

Onde estás?
Tu me assustas
Mas sinto tua falta
Tu, amor.

Amor, tu me assustas

A vida parou
O coração está congelado
Frio, insensível
Egoísta

Dentro de um vazio gigante
Só enxergo as estrelas
Bem longes de mim
Indiferentes

Pensando em tuas mãos em meu rosto
Fazendo um carinho
Teu abraço apertado
Teu conforto

Lembrando do teu olhar
Que refletia aquela incontrolável alegria,
De sentir o teu calor,
Que há tempos esqueci

Amor,
Não sei mais o que significas
Não lembro mais dos arrepios que me causaste
Enterrei tudo o que te trazia a mim

Fechei minhas portas
Tranquei com chave
Tu não entras mais
Sozinho permanecerei

Onde estás?
Tu me assustas
Mas sinto tua falta
Tu, amor.

Wednesday, May 23, 2007

Solidão

Deixa eu viver minha tristeza
Gozar de sofrimento
E ver em cada rosto o reflexo da decepção

Quero cantar a desgraça do mundo
Chorar lágrimas de sangue
Me jogar nos braços da infelicidade

Vou sentar em cada esquina
E beber toda a dor que puder
Pra sentir cada detalhe da minha destruição

Hoje vou me olhar no espelho
E perceber meu rosto deformado
Em minúsculos pedaços de sentimentos arruinados

Desejo acabar com meus sonhos
Bater na minha cara
E dizer que é tudo ilusão

Viajarei pelo desespero
E mergulharei numa saudade doente
Para contemplar minha estúpida fraqueza

Deixa eu me afogar em minha carência
E me entregar ao descaso
Agora só consigo cair no abismo da solidão

Saturday, April 28, 2007

Amores

A vida é cheia de amores
Amores qe chegam de repente
Que me deixam inconsciente
Estranhos, sem sentido
Doentes...

Amores santos e prostituídos
Do afeto à luxúria
Do desejo à repulsa
Da paixão ao ódio
Opostos...

Amores que nunca saem da cabeça
Outros que expulso
Alguns que arrebatam
Ou que destruo
Estranhos...

Amores que me fizeram conhecer o mundo
Às vezes conhecer a mim mesmo
E descobrir que são todos criação da minha mente
Uma simples loucura de um poeta
Perturbadores...

Amores insanos, pagãos, proibidos
Que muitas vezes neguei
E outras chorei
Sozinho
Tristes...

Amores que reecontrei
Ou que simplesmente descobri
Carentes, suficientes, idolatrados
Encantadores, tentadores
Desgraçados...

Amores que me dão vida
E me matam a cada instante
Por um momento me fascinam
Mas por dentro me destroem
Viciantes...

Não sei sem eles respirar
Não sobrevivo
Quero correr
E ao mesmo tempo ficar
Irrequietos...

Lábios, cheiros
Braços, abraços
Corpos que se completam
Ou se repelem
Lindos...

Corações temporários ou eternos
Doces ou de pedra
Que se doam, que se entregam
Que me negam
Destrutivos...

Amores que mistutam juízo e carnaval
Me levando para o bem e para o mal
Do céu ao inferno
Arrumados na minha confusão
Irresponsáveis...

Amores que me prometeram
Me deram e me tiraram
A alegria e a tristeza de viver
A capacidade de me doar e de me fechar
Corruptos...

Amores que pedi
Ou que implorei
Às vezes pra mim roubei
Só pra me iludir
Idealizados...

Amores que me deram vida
Sossego e paz
Os mesmo roubaram de mim
A tranquilidades do cais
Perdidos...

Amores que me fizeram acreditar na pureza de um sentimento
Palavras que trouxeram a desilusão
Vida perfeita, vida destruída
Olhos que me ensinarama a diferença entre amor e paixão
Mentirosos...

Amores temporários de anos
Duradouros de segundos
Que surgiram inesperadamente
E se foram num piscar de olhos
Banais...

Casados e solteiros
Homens e mulheres
Inocentes e vividos
Amores no final
Pra quê?

E quando uma lágrima cai
O mundo já não faz sentido
Meu sorriso é só disfarce
Ana me cantou que nem mais preciso

Saturday, February 24, 2007

Mudanças

“Eu queria beijar teus olhos, olhar tua boca”.
Você já parou para pensar sobre sua vida e percebeu que em dois meses tudo mudou? Seus trabalhos, suas responsabilidades, suas paixões, seus olhares, suas percepções, seus sentimentos, suas alegrias, seus estudos, seus rancor, seus amores, você mudou. Estranho perceber que um ano terminou e que ele realmente levou embora tudo de ruim que ele lhe trouxe. E perceber que o novo ano só trouxe coisas boas. Costumam dizer que quando a esmola é muito grande o santo desconfia. Quando isso acontece, como você age? Comemora ou espera mais um pouco para ter certeza de que não está dormindo e de que tudo não passa de um sonho?
Tive a sensação de que a vida havia sido roubada. Tive vontade de desistir, de me entregar ao descaso, de parar, de chorar. As únicas palavras que vinham à minha cabeça naquela noite barulhenta foram as que disse batendo em teu peito, na sala, chorando como uma criança que não acha sua mãe, como alguém que havia perdido todo o sentido de viver. Você se foi sem avisar.
Mas tanta coisa mudou... a maneira de ver o mundo, as prioridades, enfim... Nunca mais se é o mesmo depois de alguns sofrimentos. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas tudo está muito bem, cada dia melhor. Viva 2007!!!
Você traz tanta paz, tranqüilidade, tem tantas qualidades. Tudo que sempre reclamei por não ter parece que achei. Mas há tantas coisas a serem feitas. Então não pense em nada, não vamos racionalizar demais as coisas, vamos agir como dois adolescentes irresponsáveis. Não faça nada, apenas Viva... e me beije... agora... como jamais fui beijado por ninguém.

Monday, January 01, 2007

Adeus 2006!!!

E quando o relógio bater meia-noite, 2006 será dust in the wind.
Foi sem dúvida um ano cheio de coisas maravilhosas e muito tristes também.
Janeiro foi meio conturbado, fevereiro foi esplêndido com um carnaval pra entrar pra história. Em março, fui apresentado à famosa tequila e de lá pra cá me apaixonei por ela. Em abril fui parar em Bariloche: inacreditável. Maio, junho e julho foram meses legais também. Greve na uerj, descansando, copa do mundo, Maricá, etc. Agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro foram bem ruins. Deixaram a sensação de um ano em que não consigo definir se foi bom ou não.
Mas por que reclamar? Se na nossa vida só houvesse alegria, seríamos fúteis demais. A certeza da alegria tiraria toda a graça do viver.
Pois é... como sempre, algumas pessoas se foram, algumas para nunca mais voltar, outras para um reencontro no futuro, mas outras chegaram pra ficar, ou só passaram, como anjos que tinham uma determinada função na minha vida, às vezes uma simples frase que eu precisava ouvir, às vezes conversas intermináveis ao pé do ouvido ou do telefone. Gisele, Thiago, Camila, Simone, Zé, Ludoviko, Humberto, Danilo.
Também preciso agradecer a esse ano porque ele conseguiu me mostrar bem quem eram meus amigos de verdade. E fiquei muito feliz de me certificar que eu realmente tenho grandes amigos, que estiveram do meu lado no momento em que mais precisei. Não vou dar nomes para não cometer a injustiça de esquecer alguém.
Tenho tantas coisas pra agradecer: conquistei respeito no trabalho, tive a oportunidade de conhecer a Argentina (de graça) como presente de aniversário, conheci pessoas maravilhosas, lugares maravilhosos, restaurantes maravilhosos, festas maravilhosas, enfim... vai ser um ano com muita coisa pra lembrar.
Pena que chega ao final com a sensação do chão perdido, com vários sonhos e planos jogados fora. Se ainda vou chorar mais? Provavelmente sim. Mas hoje eu só quero tomar um banho de champanhe para me sentir renovado e esquecer toda a tristeza, mágoa e saudade que perturbaram minha cabeça durante os últimos meses, que tiraram minha motivação para tantas coisas, que me fizeram querer fugir dessa cidade, fugir da vida e me esconder num lugar onde ninguém pudesse me encontrar, que me dão vontade de chorar todos os dias, que fazem meu peito doer e parecer que vai explodir. Falta menos de uma hora para a meia-noite e eu não consigo parar de chorar, eu não consigo para de desejar o que perdi. Perdi inexplicavelmente como alguém que perde a razão de viver.
É realmente engraçado como nossa vida tem a capacidade de mudar muito de um dia para outro: trabalho, amizade, saúde, amor e tantas outras coisas nos levam do céu ao inferno em questão de segundos. Mas se esse é o grande barato da vida, que a instabilidade dos nossos dias continue nos ensinando muitas lições.
Que 2007 venha repleto de alegria, saúde, trabalho, livros, literatura, beijos, amizades, festas, sinceridade, sexo, sorrisos, dinheiro, música, arte, filmes, viagens e (eu não queria falar, mas essa palavra definitivamente não sai da minha mente, por mais que eu queira) amor. Todos os tipos dele. Desde aquele que sentimos por aquela criança sem ter o que comer na rua, passando pelo que sentimos por nossos pais, filhos e amigos até aquele outro tipo de amor inexplicável.
Haverá decepções com certeza, mas que, daqui a um ano, 2007 possa ser lembrado pelas coisas boas que trouxe.

PS: Mais uma vez, obrigado aos meus amigos pelo apoio que me deram durante o ano. Isso é o melhor presente que eu posso ganhar, é a melhor lembrança desse ano que pode ficar na minha memória. E com certeza nunca esquecerei.